domingo, abril 03, 2011

Ça n'existe pas... Chegámos a um ponto em que é fácil o desencontro, o equívoco. Não sei o que esquecemos, o que nos desgasta, mas os nossos abraços, embora ainda nos unam e nos aqueçam, perderam a frescura e a espontaneidade de outros tempos. Lembras-te de como eram os nossos encontros ao fim do dia? Quando bastava a presença iminente do outro para que o desejo fosse tão forte que só se consumia com os nossos corpos unidos em êxtase? Esperávamos-nos, ambos disponíveis para a troca de olhares cúmplices, simples consonância de um só desejo ampliado em mil reflexos, muito para além do que é inteligível. Para trás ficavam afazeres, responsabilidades, urgências, porque urgente era esgotarmos esse desejo que nos impelia para o sexo, única forma de materializarmos esse amor que, de tão intenso, não se compadecia com a palavra amo-te. Será que o tempo nos castiga, retirando-nos o prazer de desfrutarmos os nossos corpos? Serão os deuses que, invejosos da nossa sorte, nos aprisionam no hábito e no tédio? Não havia lei nem ordem a que obedecêssemos. Quem despia quem? Não sei porque não fixei, não estudei, não retenho a inutilidade. Recordo apenas que os lábios, antenas de sensações, percorriam cada poro dos nossos corpos, até que faltasse apenas a minha penetração em ti para que a terra, em vertiginosa rotação, tivesse que quedar-se, para que o mundo não perdesse o equilíbrio. E depois, em silêncio, as carícias, suaves, eram o epílogo de um momento, apenas, que iríamos repetir sempre, para sempre. Olha para nós. Eu saboreio um cálice de Porto, saboroso, acredita. Tu comprazes-te com poesia, de um bom livro, certamente. E nós? Onde ficámos nós, para que nos encontremos apenas às vezes, quando o Porto e a poesia não nos preenchem o vazio?

terça-feira, março 15, 2011

Sonhei contigo…

"Vi-te chegar à estação e abraçámo-nos, para o espanto de toda agente.
Viajámos para casa, pousaste a bagagem e quiseste tomar um duche.
Eu fui acabar o jantar. Nada de complicado. Um peixe grelhado, apenas.
Um odor a canela espalhava-se por toda a casa. As velas na mesa ofereciam um ambiente íntimo, tranquilo.
Um jazz quente, volume baixo, cúmplice dos desejos.
Estavas cansada mas, mesmo assim, quiseste fazer amor. Foi calmo mas apaixonado.
Depois adormecemos, tranquilos, quase satisfeitos.
Eu acordei primeiro e afaguei-te o cabelo, tu sorriste e repetimos o amor, agora mais viril, mais intenso.
Depois passeávamos por Lisboa de mão dada, bebemos um café e comemos um bolo numa pastelaria qualquer porque estávamos cansados do passeio.
Regressávamos a casa ao fim do dia e amámo-nos..."

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(Video: d'age - Carinho Vadio)

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Acordai Mix

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O amor sabe...



onde está o meu desejo de me perder
em ti
em nós

onde está a melodia perdida
algures no aroma de um rio
em mim
em nós

Eu perdi o rasto que traçámos algures
numa floresta enebriante de cor e perfumes

Espero um novo dia
que se adia
que não chega nunca
naquele comboio em que partiste.

Se te dissesse que as lágrimas do adeus irrompem
mesmo quando as minhas melodias as interompem.

A salvação é uma viagem
e eu
eu não posso comprar a passagem.

domingo, novembro 28, 2010

Irrompem...



anjos
sedentos

Buscam-me
enquanto adormeço
Encontram-me
quando desperto

Onde estás
luz minha para que me segure
Onde te encontro
no meio da neblina intolerante

Não me resta ouro nem sedas
Consumi tesouros e prendas

Resta-me tempo, pouco
sede, tanta
Desfaleço entre tantos desejos
que desejo

E tu minha vida
porque demoras
É que os anjos, sedentos
convocam a partida
... antecipada... que adio...

sexta-feira, novembro 12, 2010

Bela...

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... ia a noiva vestida de branco
linda
a música tocada ao piano

Êxtase
brindes e vivas e risos
E sonhos

Malfadadas as noites em branco
de tantos agouros
Tantos falsos tesouros

Reconheço-te ao longe, princesa dos meus pasmos
Reconheço-te, entre todas as princesas dos meus cantos

Foi há dias quando renunciei
ao prazer que desenhei

Rejeito outras falsidades
Enganadoras felicidades
Esconjuro banquetes

Embarco num navio

Está frio
Gelo
Sem bagagem
sem asilo.

(Video: Ser Sóbrio - d'age 2010)

quinta-feira, novembro 11, 2010

Fome...

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Amanheceres cinzentos
que o inverno despertou.

Perdida a paixão
o desejo
A solidão também.

Não quero ninguém

Perco-me nos rostos
magros, crispados,
vagabundos de si
Como eu de ti...

Ao longe revejo a sorte
O odor da morte
ou simplesmemnte o desejo
de partir rumo ao silêncio derradeiro

(Video:Voar na Brisa - d'age 2010)