sexta-feira, novembro 17, 2006

Interrupções…

Volta a estar a ordem do dia a discussão sobre a interrupção voluntária da gravidez, uma expressão polida para fazer aborto.
Vou tentar explicar a minha posição de forma clara e abrir a discussão. Porque me parece pertinente, porque sim.

Primeira questão
Quem decide se deve ou não interromper a gravidez?
Há os que acham que as mulheres são donas do seu corpo, logo têm esse poder.
Ora eu penso que A + B pode não ser igual a C.
Quer isto dizer que, no limite, como houve dois a participar no acto que originou a gravidez, a responsabilidade e, logo, a decisão deverá, sempre, ser a dois.

Ora esta questão implica que os parceiros têm consciência do que é o acto sexual e quais as suas implicações e consequências.
Como sabemos isto não é bem assim. A maior parte das criaturas que se envolvem em relações ou relacionamentos (coisas distintas), não pensa muito no assunto até a coisa se dar.

Segunda questão
A partir de quando é que o feto é uma criatura?
Para mim, desde logo. Ou seja, uma célula é um ser vivo. Portanto na minha opinião a questão de abortar no dia seguinte ou 2 ou 6 meses depois é a mesma.
Claro que olhos que não vêm, coração que não sente (?).
O momento do aborto é de facto uma violência para a mulher. Mas para o seu companheiro a situação não é propriamente fácil. Porque essa violência é sobre a mulher que escolheu e que o escolheu.
Isto se falamos de uma relação. Amorosa ou mais íntima que um blind night stand (isto em inglês soa melhor…).

Terceira questão
As posições religiosas são muitas vezes interpretadas à luz de algum preconceito. Sim, que os ateus muitas não entendem e não querem entender o porquê destas opções.
A verdade é que, independentemente de considerarem mais ou menos conservadoras e ou idiotas as suas razões, quem não está envolvido espiritualmente com a vida tem dificuldade em olhar objectivamente estas opções.
Mas certamente concordarão que, quem encara a vida como uma passagem breve, na qual se aprende e se tenta ganhar um lugar especial num mundo incorpóreo mais elevado, não pode vir para a rua defender um acto que impossibilita aquela vida de evoluir e ganhar o seu espaço nesse outro mundo.

Quarta questão
Tendo em conta as anteriores perguntamos nós: mas e os padres, ministros de deus, políticos católicos e de outras religiões (com poder de decisão), não pagam altas verbas para o fazerem no estrangeiro, ou mesmo por cá à socapa?
Claro que sim. Claro que os haverá, bem como qualquer indivíduo incógnito.
Na minha opinião isso não inviabiliza a filosofia no seu âmago.
Somos pessoas, nada mais. Cometemos erros. Todos nós. E o preço a pagar tem a ver com a nossa consciência e não com aquilo que alguém pensa e julga sobre os nossos actos.

Em resumo, perguntam vocês e muito bem: qual é a tua opinião?
É fácil.
Entendo que as pessoas devem ser responsabilizadas prelos seus actos, logo devem poder optar.
É difícil.
Isto implica que as pessoas devem ter consciência do que representa o abortar, interromper o desenvolvimento de um ser que ali começou a germinar.
Complexo.
É mais fácil abrir as portas das salas de aborto que educar. Mas, repito, a responsabilidade é nossa. Sempre. Deus não é, na minha opinião, um velho barbudo sentado à espera de nos dar umas palmadas quando cometemos erros.

Legislação? Dêem-se às pessoas a liberdade e a responsabilidade de se amanharem com os seus actos.
Depois que se escamem com a sua consciência se a tiverem.

19 Comentários:

Blogger Teresa Durães disse...

exacto porque o referendo não indica se devemos abortar ou não mas se alguém vai preso ou não por abortar, o que é algo diferente.

bom dia.

12:42 da tarde  
Blogger Cris disse...

Concordo em absoluto!!! O Aborto é uma questão de consciência de quem o decide fazer ou não, é incocebível que se tente legislar o "livre arbitrio" de cada um, num aspecto que só diz respeito, no máximo a 3 pessoas, ela, ele e o que vai nascer.

Um beijinho e Bom Wk

3:02 da tarde  
Blogger Senhora das Aguas disse...

Esta questao é como uma faca de dois gumes. Imaginem, a menina que engravida é infanticida porque aborta, é puta porque esta gravida.É uma de dois gumes. Sim senhor, o acto é sempre a dois, claro, mas e quando se fala de relacionamnetos e nao de relações e mesmo neste caso, quantas vezes o companheiro da de frosques enquanto a menina fica com o pontapé nas costas? Inúmeras vezes, até. Será uma escolhas a dois? Nem sempre, nem nunca será sempre dos dois. Apoio o direito de optar, mas apoio bem mais o factor ganhar consciência de que sexo não é só prazer e afacto quando o há e bons momentos, não. Implica riscos e enormes riscos. Quem não tiver consciência disto, nem direito a ter sexo deveria ter. Uma vez com maturidade nesta fase da vida, é com maturidade que se deve encarar as consequências da opção que tomam. Abraço, Ant.

3:27 da tarde  
Blogger a rasar o ceu disse...

não há mts gumes assim. antes a faca da razão, ou seja, a cada um/a a liberdade de poder decidir se pode/quer ser mãe naquela/outra situação/idade.....!

____________

a grande hipocrisia é dar-se prioridade à hipocrisia!


_____________


beijos A.


____________e bastantemente oportuno.

4:29 da tarde  
Blogger Peter disse...

Concordo contigo, qd escreves:

"A partir de quando é que o feto é uma criatura?
Para mim, desde logo. Ou seja, uma célula é um ser vivo. Portanto na minha opinião a questão de abortar no dia seguinte ou 2 ou 6 meses depois é a mesma."

O problema que se põe, como diz a Teresa Durães, é "ser, ou não ser presa", é o que se vai referendar.

Como acho que o "abortar, ou não abortar" é, antes de tudo, um assunto do foro íntimo da pessoa, ou pessoas (se ele continua na relação), voltarei a não me pronunciar.

10:02 da tarde  
Blogger A disse...

Boa noite Ant

pois... do aborto... interrupção voluntária da gravidez...

sou 200% a favor
mas concordo quando dizes que a educação é o mais importante. antes prevenir que remediar, mas no momento é de remendos e remédios que se fala, vota e legisla.

hipocrisia? já chega.

para mudar o rumo dum país não será concerteza a dar-lhes os programas que se vêem todos os dias na tv e estamos a falar de um país com uma taxa de analfabetização, insucesso e abandono escolar. atente-se que é um país católico e todos sabemos a posição da Igreja qto ao preservativo... misturar religião com lei não é boa política. digo eu.


não é por ser ateia que tenho menos responsabilidade ou espiritualidade na forma como encaro a vida.
não é por ser ateia que sou mais leviana ou mais desinformada.

porque é disso que se fala.

quem faz um aborto não o faz de ânimo leve; conheço muita mas mesmo muita gente que fez abortos (no feminino como no masculino) e não são piores pessoas por isso. e têm a consciência de tê-lo feito... como algo que carregam para o resto das suas vidas. uma dor que não passa.

concordo contigo quando dizes que a decisão não cabe somente à mulher. e sou mulher.

sim, é complexo. bastante.

Beijinhos

2:06 da manhã  
Blogger God's Sniper disse...

I agree 100% that everyone is entitled to make their own choices and live with the consequences of their own actions.
But in my opinion what really is the problem are not the moral principles of the action “Abortion” but something far more important or sinister depending on the point of view of each one of us. The preservation of the race and its future generations are the really motives behind the legalisation of Abortion.
Obviously the politicians don’t come out in the open talking about this, the way I have just exposed, because they don’t want to be accused of attempting to protect the Portuguese race or any other race for that matter. On the other hand they use their old ally RELIGION to keep people on their toes.
But this matter is not just Portuguese it’s happening in so many other places around the Globe, for instances right here where I live Ireland. Last year the government approved a bill stating that any child born in the country of no National Parents are refused the Irish Citizenship automatically. And since then the numbers of the so called Political refuges (Africans and Asians) decreased dramatically.
This is just the tip of the Iceberg,

I’ll see you in Christmas brother.

3:47 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Olha, macacos me mordam se percebi o que é que tu e algumas outras pessoas que se pronunciaram defendem!! Não, mas afinal sim. Sim, mas afinal não. É complexo!
Claro que é complexo mas o que se pretende é não fazer ir parar à cadeia mulheres que decidiram abortar. Que escolheram, raramente porque o desejam mas porque as circuntâncias o impõem.
Certamente que não defendo o aborto, defendo a informação e uma sexualidade responsável. Defendo tembém o direito à possibilidade de optar sem crime nem castigo. Por isso, se o referendo se realizar, eu voto sim. Acho que fui clara. **

5:10 da tarde  
Blogger Caiê disse...

Eu voto sim. Sou a favor da despenalização. Penalizar? Quem tem o direito de julgar? Por acaso o Deus de cada um desceu à terra?

1:36 da manhã  
Blogger LUA disse...

Eu sou a favor da interrupção voluntária da gravidez, como já foi dito, este tema está rodeado de uma grande hipocrisia, porque abortos sempre se fizeram e fazem basta ter poder económica para tal. Acho que devemos ter a opção de escolha... agora é obvio que aborto não é sinónimo de contracepção e deve ser feito com consciência.

Nos dias de hoje é lamentável ouvir mulheres a dizer que nunca ouviram falar em planeamento familiar ou que não usam contraceptivos... e não venham dizer que é falta de informação... eu diria falta de interesse ou mesmo burrice!!!

E quanto à tua questão:

"Quem decide se deve ou não interromper a gravidez? "

Depende do tipo de relacionamento.

Beijinho

4:28 da tarde  
Blogger Ant disse...

Obrigado pela vossa participação.
Como é obvio a questão não se esgota nas questões expostas. Muito menos se esgota neste blogue.
Parecuia-me ter deixado a minha opinião clara: a penalização não é admissível. No entanto não sou propriamente a favor do aborto, entendo a opção em algumas circunstâncias expecíficas. Como diz a A. É um momento de grande sofrimento para as mulheres e para os seus companheiros, quando aparecem em cena. E não estou a falar no vazio.
Não se falou de violações e deficiências. Entre outros aspectos em aberto.
Apesar da informação disponível, continua-se a educar mal. E não bastam as aulas de educação sexual que, como se sabe pela experiência de outros países, é insuficiente.
Na minha opinião ainda não se fez a revolução das mentalidades e, essa sim, poderia fazer a diferença.
Um abraço a todos.
Ant

11:37 da tarde  
Anonymous Luís Neto disse...

eu voto SIM......

abraços, em especial ao Sniper da Irlanda.......

11:42 da manhã  
Blogger Cris disse...

Boa semana para ti!!


Cris

12:13 da tarde  
Blogger Jotabê disse...

Ia uma mãe aborto a passear na rua com o seu filho aborto, quando ao passarem por um beco, o filho aborto viu um menino aborto, todo roto e ensanguentado a vasculhar nos caixotes do lixo. O menino aborto perguntou então à mãe aborto, porque haviam meninos abortos pobres, ao que a mãe aborto respondeu, - ele é um menino aborto pobre, porque foi feito num vão de escada e a mãe aborto foi presa, é a vida!

Abraço amigo

10:04 da manhã  
Blogger Jotabê disse...

Iam os dois primeiros espermatozóides daquela ejaculação todos lançados pelo útero adentro, a disputar a liderança, quando já quase a chegarem a um óvulo todo jeitoso, repararam num espermatozóide sentado de rabinho traçado, ali nas imediações. Intrigados, interrogaram-no:
- Quem és tu pá? Nós somos os primeiros desta ejaculação, como é que apareceste aqui?
- Olá rapazes, eu já estou aqui desde há uma fodas atrás, e como não fui o primeiro da minha ejaculação, fiquei por aqui às voltas.
- Ficaste chateado não teres sido o primeiro não foi? Disseram os outros dois.
- A principio sim, mas olhem que os primeiros não tiveram grande sorte, passados uns dias, apareceram aqui umas pás e levaram-nos a eles e aos óvulos, não sei bem para onde. E tem sido assim desde que aqui estou, de forma que não sei o que hei-de fazer.
- Epa, se calhar o melhor é ficarmos por aqui também, sempre está mais quentinho do que lá fora. E se fossemos beber uma cervejinha?
- Fixe, bora lá!

Outro abraço amigo

10:30 da manhã  
Blogger BlueShell disse...

Um Beijo ternurento
BShell

11:13 da manhã  
Anonymous Regina disse...

Olá Ant!
O sonho é o desejo da alma que está adormecido, precisando apenas despertar.
Que as luzes, as cores e a alegria reinante nesse dia, o envolva de lindos sonhos.
Paz e de realizações saudáveis, é o que desejo a você.
Um abraço.
Regina

5:07 da manhã  
Blogger Y. disse...

espero que estejas Bem:_________


__________ainda não voltei...

ando. por aí....e vim deixar.te um beijo....Ant.

10:45 da tarde  
Blogger sónia disse...

A permanência da lei tal como está agora é "enfiar a cabeça debaixo da terra"...contudo, deveriam ser acrescentadas algumas adendas à pergunta do referendo:

"o resultado positivo ou negativo da pergunta colocada não terá implicações na implementação efectiva:
1) de educação sexual em todos os estabelecimentos de ensino;
2) necessidade de acompanhamento médico na repetição abusiva da pílula do dia seguinte"

3:17 da tarde  

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