quarta-feira, março 08, 2006

O olhar de uma fadiga

A mim o cansaço dá-me uma perspicácia estranha, uma visão desconstruída. Percepção próxima da loucura.
O cansaço permite-me uma improvável racionalização do quotidiano, da vida.
Não o cansaço do físico. O outro, aquele que advém do proximidade com o limite da consciência.
Detenho-me, então, e vejo os gregos e os troianos à volta da fogueira. Aceito-os, ambos, mas não os satisfaço. Nem a uns, nem a outros. Porque cheguei à fronteira, ao limite que desejei.

Falo-te como se entendesses.
Como se estivesses comigo nesse limbo, entre o bem e o mal, entre a lucidez e a insanidade que me intimida.
Eu sei que não estás. Nem vais nunca aqui chegar.

Regresso ao essencial. Um intervalo que me imponho para reencontrar o ânimo.

O meu cansaço é um amplificador. Esta clareza é uma radiografia, assustadora e subtil, através da qual percebo quem é grego e quem é troiano.

Visão arriscada que o cansaço me instiga a confrontar.

1 Comentários:

Blogger Legionaria disse...

entendo te e muito... quanto ao suicidio, parece que estamos em sintonia, nem imaginas o que ontem estive prestes...:( enfim... olha quanto ao que me escreveste, ha outras maneiras? Não é so mm aquela, esquecer quem me esqueceu, e ja agora Outros tem aspas, nao é o mundo inteiro, Ant!

9:32 da manhã  

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