quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Falar de música

Sou um apaixonado pela música. Um dia, era eu muito miúdo, um tio meu, músico-dependente (ele tinha uma discografia fantástica, dos Clássicos ao Jazz, do Rock ao Ligeiro e ouvia-os ao acordar, a comer, ao deitar. Sempre.), apresentou-me esta fantástica forma de expressão que, erradamente, está separada da Arte (quando os livros falam de arte referem-e à pintura e à escultura, sabe-se lá porquê).
Ensinou-me a ouvir, melhor, a escutar toda a música que lá tinha.
Depois, com o tempo, fui fazendo as minhas escolhas. Basicamente gosto de todos os géneros de música. Gosto de ouvir os textos e é por aí que mais me deixo seduzir. Ou então, se é instrumental, procuro o diálogo dos instrumentos, a voz dos executantes através das cordas, dos sopros.

Isto a propósito dos 250 anos do Mozart e da Febre de Sábado que a RTP transmitiu.
Sobre Mozart que posso eu dizer? Mesmo tendo estudado dois anos na Academia de Amadores, ou talvez por isso, não me apetece falar do talento, da composição, seja lá do que for.
O homem é genial e pronto.

Quanto à Febre... bem, foi divertido. Andei com alguns deles na estrada. Conheci-os por dentro e sei das limitações, das dificuldades, do sucesso e do abandono da carreira musical.
Ser músico em Portugal é uma aventura. Os instrumentos são caros, os estúdios não gravam, o público nem sempre compra, as rádios não passam. Um país que precisa de uma lei da rádio é um país mal educado.
Tenho comigo a Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa. Percorre os cantores, autores e bandas desde os anos da Severa até 1998, salvo erro.
Quantos saberão que o José Cid editou um álbum (reeditado em CD no Japão com grande luxo) considerado dos melhores de sempre na área do Rock Sinfónico?
Quem sabe que um programa chamado Zip-Zip, nos anos 60, fez frente à censura e transmitiu autores proibidos?
Quem sabe que existe esta enciclopédia?

A música é das melhores formas de nos encontrarmos. A música é uma expressão de estar na vida, é ela própria a expressão da própria vida.
Por favor escutem música. Muitas respostas, muitas vezes, estão lá. Muitas perguntas, muitos questionamentos, estão lá certamente.

5 Comentários:

Blogger lazuli disse...

Em primeiro lugar, parabens por este magnífico texto sobre música. Uma arte.

E citando Claude Lévi-Strauss:

“Vistas às escalas dos milénios, as paixões humanas confundem-se. O tempo não acrescenta nem retira nada aos amores nem aos ódios sentidos pelos homens, aos seus compromissos, às suas lutas e às suas esperanças: ontem e hoje, serão sempre os mesmos. Suprimir ao acaso dez ou vinte séculos de história não afectaria de maneira sensível o nosso conhecimento da natureza humana.
A única perda irreparável seria a das obras de arte que esses séculos teriam visto nascer.

Porque os homens não diferem, nem sequer existem, senão através das suas obras.

Como a estátua de madeira que pariu uma árvore, são unicamente elas que atestam a evidência de que, no decorrer dos tempos, entre os homens, alguma coisa realmente se passou.”

2:34 da manhã  
Blogger Tere disse...

Oi... eu adoro música... não passo um dia sem ouvir as minhas melodias (para mim) preferidas... e adoro entender com a alma o que se diz... Bjokas

10:52 da manhã  
Blogger Jotabê disse...

...o meu puto, ontem veio da escola um pouco desanimado, porque no teste individual de música que tinha feito, segundo ele devido ao nervosismo, teve Satisfaz-bastante e não tinha tido Excelênte pois enganara-se no Sol, desabafava ele desalentado, "...não tenho mesmo jeito para a música". Falei-lhe durante algum tempo o que era ter ou não jeito para a música, e agora vou-lhe mostrar o teu texto para completar a minha explicação.
Abraço

1:14 da tarde  
Blogger Kelly Cris disse...

Olá amigo, muito obrigada pela visita em meu Blog Percepção e pelo carinho no Blog Entre Amigos. Adorei seu blog e esse texto sobre música. Amo música, sem não vivo, faz parte de mim e acredito que faça parte do ser humano num todo. Um abraço grande e um dia maravilhoso para ti.

1:34 da tarde  
Blogger Marco_S disse...

E tanto que se poderia dizer sobre este tema...
Acho que não há ninguém que não goste de música, pois há tantos tipos/estilos que é fácil afeiçoarmo-nos àquele que melhor se identifica connosco.
Por isso, e já que falaste em música portuguesa, não posso deixar de salientar mais este podre do nosso país.
Primeiro, tomem atenção à educação musical que os vossos filhos aprendem na escola e perguntem-se se realmente aprendem a gostar de música ou se se limitam a aprender solfejo vezes sem conta. Acho q não é esse o papel da Educação Musical. Depois de criar o gosto pela música cada um pode colocar o seu filho numa escola a perfeiçoar essa parte e realmente associada a um instrumento que se goste.
Em segundo, a triste figura das editoras. O IVA que se cobra sobre um CD de música é vergonhoso e é meio caminho andado para a frenética procura na internet de mp3 à borla. Tenho muita pena de não ter muitos originais, mas não sou rico, tenho prioridades quotidianas. Mas orgulho-me de ter uma atitude: 80% dos CD's que compro são portugueses. Sei que o que os autores recebem é uma percentagem mínima, mas é de boa vontade. Fica a sugestão...

PS: Critiquem e martirizem aqueles que dizem "Música Portuguesa" com um tom prejurativo e de má qualidade. Há muita coisa a fazer-se e de boa qualidade... e para todos os gostos...
E oiçam a antena 3

1:44 da tarde  

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