segunda-feira, janeiro 09, 2006

Susceptibilidades

Ao longo a vida vamos criando laços e crescendo no meio de relações que se fortalecem ou enfraquecem, na mesma medida com que nos envolvemos com maior ou menor intensidade.
Desses relacionamentos, que nos permitem uma maior ou menor interacção com o mundo, alguns dos quais transformam-se em amizades duradouras (ou não), ou se mantêm-se numa esfera meramente cordial.
Para nós, que passeamos no espaço virtual e, neste caso, blogoesférico, esta inter-relação amplia-se. Sabemos que a quantidade não é qualidade. Mas mesmo assim é possível criar laços que têm a ver com a empatia, com a sensação. A realidade volta ao mundo do platónico. O que parece pode não ser. O que se escreve pode não ter a dimensão que se quer, ou, ainda, ganhar uma dimensão superior à que supostamente desejamos.
É por isso que os nossos comentários têm efeitos vários. Às vezes abrem expectativas, criam simpatias, abrem espaços criativos de diálogo criativo (passe a expressão). Outras, têm o dom de ferir as susceptibilidades do outro, do leitor, daquele que está à espera de uma resposta à sua intervenção.

Esta comunicação, sem presença física, não permite que a expressão tenha o seu real valor. Apenas a perspicácia do interlocutor pode trazer ao emissor da mensagem o feedback apreendido pelo outro, por aquele que se interessa pelo que dizemos e, supostamente somos.
Isto vem a propósito de algumas discussões em torno de posts, dos comentários, das respostas aos comentários e contra-respostas, etc.
Exemplos haveriam muitos. Não vale a pena sequer apontar quais porque, mais uma vez, poderia correr o risco de amplificar uma ideia que não pretende ser amplificada.
Claro que os comentários mais escatológicos são os mais vulneráveis a estas controvérsias. E aqui - devo confessar que já os fiz – fazem falta, de facto, o olhar, o piscar de olho, o sorriso, (os quais não podem ser substituídos por quaisquer símbolos cibernéticos), que devolvem a real carga que aqueles têm.

Posso mesmo, afinal, dar um exemplo. Há dias, em resposta a um comentário, eu disse que “somos poucos mas gostamos de pensar que somos bons... digo eu”. Ora não era intenção, de todo, dar a noção de que estes posts e os seus comentários fazem parte de uma qualquer elite intelectual. Antes pelo contrário. Aquele “digo eu” pretendia ser, isso sim, um piscar de olho, uma ironia, um convite, um abrir de portas.
Quer dizer... até parece que estou a justificar a escrita. Não, nada disso. Este é um exemplo tosco daquilo que me fez pensar após o comentário.
Não, não me ocorreu apagá-lo. Porque me pareceu mais interessante falar do assunto.
Num blog, que por acaso leio com assiduidade, as críticas a um comentário que foi apagado foram tão violentas que o autor, depois de o apagar, se retractou dizendo que afinal aquilo que disse não era para ter aquela leitura, ou melhor, que a escrita não foi a que mais servia o que ele queria de facto dizer.

E no quotidiano? Como dizemos, falamos, comentamos?
É verdadeiramente grave quando esta dimensão do irónico não é entendida no frente a frente. Quando, mesmo junto daqueles que fazem parte do nosso convívio, se confunde sorriso por cinismo ou pela ofensa.
Já tive problemas quando, sem saber, meu interlocutor na sua intimidade
Eu gosto especialmente do humor subtil, do sarcasmo, da ironia que se confunde com a verdade. Tenho aprendido a decifrar esta lógica, por vezes perversa, que nos faz rir, dos outros e de nós, com sorte, sobretudo de nós.
Mas o risco é grande, sei-o bem.

Aliás, este texto pode ser, ele mesmo, uma ironia. Pode constituir uma ameaça ou, pelo contrário, mais uma peça de mim, uma construção daquilo que sou e que vou desvelando.


Havemos de voltar ao tema um dia destes. É daquelas coisas que não se esgota porque tem a ver com a nossa relação com o mundo, com os outros. Connosco que aqui nos vamos encontrando.


Se eu pudesse piscava o olho direito (é que me dá mais jeito). Como não posso, Façam de conta que pisquei.

Hehehe

7 Comentários:

Blogger greentea disse...

tudo tem as suas interpretaçoes, as suas viragens, os sorrisos as piscadelas... digo eu.
Só não entendo pq ninguem comentou o teu post.
Estes textos, estes convivios talvez nos mostrem mais como somos porque não temos limites ninguem sabe quem tu és ou quem eu sou, quem era o do post que se apagou e onde ele deixou reflectir o que mais é, mais sentia.
Depois sentiu, viu-se de uma outra maneira e teve necessidade de reflectir e de descer de novo às profundezas do inconsciente.
Acho estas conversas, estes diálogos excelentes porque nos deixam ir para além do convencional, deixam as amarras e expraiamo-nos ... tal como somos...digo eu!

Coincidencia ou não , esta expressão é muito usada por familiares meus, da zona da Guarda. Eu sou alfacinha e por isso talvez muitos não a conheçam, digo eu...

11:49 da manhã  
Blogger Ant disse...

Olá, bem vinda.
Eles demoram a vir mas aparecem, digo eu...
Estive na Guarda há muitos anos. tenho amigos em Penamacor e numa terra que se chama Benquerença.
O interior ainda não tem estádios de futebol novos pois não?
É por isso... digo eu. hehehehe

12:08 da tarde  
Blogger Vampiria disse...

é assim o inicio do teu texto interessou e bastante, alias é do que te falo no mail que teras oportunidade de ler..e ja agora leio tmb sobre aamizade... que so agora vi que tmb tinhas escrito um texto sobre tal...preciso mt de ler sobre isso...para me dar umas luzes, um caminho..mas no final..so eu poderei seguir o meu, o da minha vida pessoal!...

1:06 da tarde  
Blogger greentea disse...

Não percebo as dos estádios de futebol. Talvez não queira perceber, porq não gosto - trauma de pequena qd o meu pai me levou contrariada a um jogo.
Benquerença, Pera de Moço ou Avelas de Ambom - tudo boa gente, digo eu...

1:44 da tarde  
Blogger Tere disse...

Olha sabes que mais... toma lá uma pescadela de olho... ;) (penso que é assim no msn) Bjokas

3:22 da tarde  
Blogger Ant disse...

greentea: não há estádios ninguém conhece, topas?
Tere ;) para ti também Bjos

3:28 da tarde  
Blogger Ant disse...

Vampíria, ler sobre a amizade... há umas ciosas giras e interssantes. NA fac fiz um trabalho sobre um livro do Alberoni (Primeiro Amor). Mas importante mesmo é a sensibilidade, o empírico, a empatia.

3:32 da tarde  

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