terça-feira, janeiro 17, 2006

À rasca
Ou os aflitos...


Aproveitei um espaço de fôlego para vir aqui fazer um pouco de catarse, como se costuma dizer.
Tinha planeado fazer uma abordagem à esfera que tem a ver com relações amorosas e sexuais, assunto muito debatido pelos blogs.
É verdade. De repente toda a gente anda com problemas amorosos e sexuais. É como se nunca tivessem havido conflitos entre sexos ou coisa assim parecida.
É um Boom, de facto.

Mas não.
Não vou falar de coisas tão complicadas e que envolvem alguma delicadeza.

Hoje, ia a sair de casa e um vizinho meu, dos poucos simpáticos que o prédio tem, queixava-se do cansaço. Queixava-se de estar a passar-se ou perto disso. Dizia, a terminar que a única coisa que lhe apetece quando chega a casa é brincar com os putos.
São 2 de facto, um casalinho. Ok, ok, eu não falo, eu não digo que é o ideal da família perfeita. Aliás, com casalinho ou sem casalinho, será que existe tal?

Bom, retomando a ideia... é fácil ter a percepção de que anda uma data de gente completamente à toa, eu incluído. Ou por questões económicas, amorosas (lá está), falta desemprego, crise, amizade, identidade e um sem número de outras que poderia aqui adicionar.

Há uns anos acusava-se a juventude de ser rasca. Já se fala, há muito, da geração à rasca.
Eu, por mim, acho que andam todas as gerações à rasca. A juventude, a meia idade, a terceira idade, as crianças, todos, todos andamos à rasca.

Já nem adianta falar da crise, nem sequer da enorme e cada vez maior diferença entre classes.
Adianta, talvez, dizer que andamos todos armados em Dons Quixotes, atrás de moinhos que, para além de imaginários, são completamente ilusórios.

A falta de tempo para cuidarmos de nós, física, psíquica ou espiritualmente é talvez uma causa mais que aparente para este à rasca que nos aproxima do abismo.
Depois é só dar mais um passo.

Mas tenhamos calma. O campeonato está a meio, vem aí o mundial, o europeu e, antes, as eleições presidenciais.
Pode ser que até nos saia a sorte grande. Pode ser que fiquemos com um paizinho que cuide de nós, como só nós gostamos de ser cuidados e protegidos.

Até lá, vamos ter que viver neste equilíbrio fatal, na nossa corda bamba, à espera que, se cairmos, alguém esteja lá para nos apanhar.

1 Comentários:

Blogger greentea disse...

Porque será q ninguen comenta certos textos?
Este país, esta e outras gerações não passam de gerações rascas à rasca!
Ontem dem-me ao cuidado de ver a série da Filha do Mussolini, para ver se entendo, porque ainda não me esqueci dos anos do fascismo, em q havia sempre alguem atras de nós ou na mesa ao lado ou no banco do bus, em que tudo era proibido, certos livros , certas músicas , certos autores...
E lá estava a filosofia do paizinho!
Ele, o Mussolini, dizia q era absolutamente necessário que houvesse um chefe, um pai que comandasse o povo, porque estavam perdidos e tinha que haver uma mão forte para tudo entrar nos eixos.
Será q somos educados assim, somos habituados a ter sempre o tal de paizinho para "nos orientar" , nos "proteger" porque não sabemos tomar as n/ decisões, somos eternamente dependentes como aqueles filhos q nunca despegam da saia da mãe ?
É isso que queremos? Essa eterna dependencia filial do pai do patrao do presidente do Estado (novo ou velho)?
Até quando? Até sempre!

8:20 da manhã  

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